Os campos de experiência da BNCC organizam as aprendizagens essenciais da Educação Infantil a partir das vivências e interações das crianças. São cinco: “O eu, o outro e o nós”; “Corpo, gestos e movimentos”; “Traços, sons, cores e formas”; “Escuta, fala, pensamento e imaginação”; e “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”.
Este guia explica o que cada campo contempla, como se relaciona aos direitos de aprendizagem e de que modo os objetivos e códigos podem orientar o planejamento. É voltado a professores, coordenadores pedagógicos e estudantes de licenciatura que precisam consultar a estrutura curricular e traduzi-la em experiências possíveis para as crianças.
A tabela funciona como referência rápida, mas os exemplos são possibilidades, não atividades obrigatórias. Para tomar decisões curriculares, consulte a versão oficial da BNCC e as orientações da rede de ensino: a organização local pode detalhar expectativas sem substituir o documento nacional.
- 1. O que são os campos de experiência da BNCC na Educação Infantil?
- 2. Quais são os 5 campos de experiência da BNCC?
- 3. Tabela dos campos: objetivos e exemplos
- 4. Como os campos se relacionam aos direitos de aprendizagem?
- 5. Objetivos por faixa etária e códigos da BNCC
- 6. Como planejar atividades integrando diferentes campos?
- 7. Onde consultar ou baixar a BNCC da Educação Infantil em PDF?
1. O que São os Campos de Experiência da BNCC na Educação Infantil?
Na BNCC, os campos de experiência são uma forma de organização curricular da Educação Infantil que articula as experiências cotidianas das crianças aos conhecimentos culturais, artísticos, científicos e tecnológicos. Em linguagem comum, são grandes eixos para planejar o que as crianças podem viver, investigar e aprender, sem transformar a etapa em uma grade de disciplinas.
Essa organização parte da concepção de criança como sujeito que observa, questiona, brinca, participa, imagina e produz sentidos nas relações com outras pessoas e com o ambiente. Por isso, uma proposta pedagógica não precisa caber em um único campo. Uma brincadeira de construir uma ponte com blocos, por exemplo, pode envolver negociação entre colegas, exploração de equilíbrio, comparação de tamanhos e relato do que foi feito.
Os campos não substituem o currículo da rede nem o projeto pedagógico da escola. Eles oferecem uma referência comum para selecionar experiências e acompanhar aprendizagens, em diálogo com as características da turma, o contexto cultural e as necessidades de cada criança. A página do Ministério da Educação sobre diretrizes curriculares ajuda a situar a BNCC no conjunto das orientações nacionais para a educação básica.
Também é útil separar três elementos que costumam ser confundidos: os campos organizam as experiências; os direitos indicam condições de participação e aprendizagem; e os objetivos descrevem aprendizagens esperadas para cada grupo etário. Uma atividade é uma escolha pedagógica para favorecer essas aprendizagens, não uma exigência textual da BNCC.
Um erro recorrente é montar cinco “aulas” isoladas, uma para cada campo, como se fossem matérias semanais. Isso acontece quando os títulos dos campos são lidos como disciplinas. Para evitar essa fragmentação, comece por uma situação significativa para a turma e identifique depois quais experiências, interações e objetivos ela pode mobilizar.
2. Quais São os 5 Campos de Experiência da BNCC?
Os cinco campos são “O eu, o outro e o nós”; “Corpo, gestos e movimentos”; “Traços, sons, cores e formas”; “Escuta, fala, pensamento e imaginação”; e “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”. Cada um aborda dimensões da experiência infantil que se cruzam durante brincadeiras, conversas, investigações e produções.
O Eu, o Outro e o Nós
Reúne experiências ligadas à identidade, à convivência e à construção de relações. A criança conhece aspectos de si, percebe diferenças, participa de grupos e aprende a expressar sentimentos e opiniões. Uma conversa sobre os combinados de uma brincadeira pode abrir espaço para escuta, negociação e reconhecimento dos colegas.
Corpo, Gestos e Movimentos
Considera o corpo como forma de expressão, comunicação e exploração do mundo. Inclui movimentos amplos e finos, gestos, equilíbrio, danças e brincadeiras corporais. Ao preparar um circuito, por exemplo, o professor pode observar como cada criança experimenta trajetos, ajusta o movimento e encontra formas próprias de participar.
Traços, Sons, Cores e Formas
Abrange experiências de criação e expressão por diferentes linguagens artísticas, como desenho, pintura, música, modelagem e exploração de materiais. O foco não é produzir trabalhos iguais, mas oferecer condições para experimentar, escolher recursos e comunicar ideias. Uma oficina de arte com materiais simples pode inspirar propostas abertas, sem impor um modelo único de resultado.
Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação
Envolve linguagem oral e escrita, escuta, conversas, narrativas, contato com livros e criação de histórias. A escrita aparece em situações com sentido para a criança, como ditar uma legenda para um desenho ou ajudar a registrar uma lista. Isso não equivale a antecipar a alfabetização formal do Ensino Fundamental.
Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações
Inclui observação e investigação de fenômenos, relações espaciais e temporais, medidas, quantidades e mudanças. Comparar folhas, acompanhar o crescimento de uma planta ou perceber o que afunda e flutua são possibilidades de explorar perguntas e construir explicações iniciais. A intenção é promover curiosidade e raciocínio, não antecipar conteúdos escolares de forma mecânica.

3. Tabela dos Campos: Objetivos e Exemplos
A tabela resume o foco de cada campo e sugere experiências que podem inspirar o planejamento. Os exemplos não são uma lista oficial de atividades: a escolha depende da faixa etária, do contexto, dos interesses da turma e dos objetivos selecionados no currículo.
Campo de experiência O que contempla Possibilidade pedagógica O eu, o outro e o nós Identidade, convivência, participação e respeito às diferenças Construir com as crianças combinados para cuidar de um espaço coletivo Corpo, gestos e movimentos Expressão corporal, exploração de movimentos e coordenação Organizar um percurso com diferentes formas de deslocamento Traços, sons, cores e formas Criação artística e exploração de linguagens e materiais Investigar sons produzidos por objetos e criar uma composição em grupo Escuta, fala, pensamento e imaginação Oralidade, escuta, narrativas, imaginação e experiências com escrita Inventar outro final para uma história lida em voz alta Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Relações, medidas, fenômenos e mudanças observáveis Comparar objetos por tamanho, forma ou peso e conversar sobre os critérios
Uma proposta pode atravessar vários campos. Na investigação de sementes, por exemplo, as crianças podem observar mudanças ao longo do tempo, comparar tamanhos, desenhar o que veem, conversar sobre descobertas e combinar tarefas de cuidado. O professor não precisa “marcar” todos os campos em cada atividade; precisa reconhecer quais aprendizagens têm relação real com a experiência.
Para escolher uma possibilidade, use um critério simples: se a intenção é acompanhar uma aprendizagem específica, defina primeiro o objetivo e pense em uma experiência que permita observá-la; se a turma demonstrou curiosidade por algo, parta dessa questão e identifique os objetivos que podem ser mobilizados. A documentação pedagógica, com registros de falas, fotos ou produções, ajuda a avaliar o que aconteceu e a decidir os próximos passos.
Na organização do ambiente, materiais ao alcance das crianças e espaços que permitam diferentes usos favorecem a iniciativa e a escolha. Ideias de cantinhos pedagógicos na sala infantil podem apoiar essa preparação, desde que não virem estações rígidas que limitem a exploração.
4. Como os Campos se Relacionam Aos Direitos de Aprendizagem?
Os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento da Educação Infantil são conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Eles orientam as condições que a escola deve promover; os campos organizam as experiências curriculares nas quais esses direitos podem ser vividos.
Os direitos não pertencem a campos exclusivos. Brincar, por exemplo, pode envolver movimento, criação artística, linguagem, relações sociais e investigação do ambiente. Da mesma forma, conviver não fica restrito ao campo “O eu, o outro e o nós”: a cooperação pode surgir ao construir uma pista, encenar uma história ou cuidar de uma horta.
Uma forma prática de planejar é verificar se a proposta oferece participação verdadeira. As crianças podem escolher materiais? Têm oportunidade de explorar sem receber imediatamente uma resposta pronta? Conseguem expressar hipóteses, preferências e incômodos? Essas perguntas ajudam a observar se os direitos aparecem na experiência, e não apenas no texto do planejamento.
Por exemplo, ao preparar uma brincadeira de faz de conta, o professor pode disponibilizar objetos variados e acompanhar as decisões do grupo. Conviver e brincar estarão presentes nas interações; participar aparece quando as crianças ajudam a organizar a situação; expressar e explorar surgem nas falas, gestos e usos inventados para os materiais. A relação com um ou mais campos dependerá do que a proposta mobiliza e do objetivo que o professor pretende acompanhar.
O planejamento de práticas inclusivas na Educação Infantil também precisa considerar como cada criança acessa a experiência. Às vezes, uma adaptação de material, tempo ou forma de comunicação abre a participação. A atividade pode continuar com a mesma intenção pedagógica, mas exigir caminhos diferentes para que todos possam se envolver.
Direitos e campos oferecem referências, não uma fórmula que garanta qualidade por si só. A qualidade depende das interações, da intencionalidade docente, da escuta das crianças e das condições concretas da instituição.

5. Objetivos por Faixa Etária e Códigos da BNCC
Os objetivos de aprendizagem da BNCC são organizados por campo e por três grupos etários: bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas. Para a faixa de 4 e 5 anos, o grupo de referência é o das crianças pequenas, indicado na estrutura da BNCC como crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses.
Os códigos alfanuméricos ajudam a localizar cada objetivo. Em um código como EI03EO01, “EI” identifica a etapa da Educação Infantil; “03” indica o grupo das crianças pequenas; “EO” identifica o campo “O eu, o outro e o nós”; e “01” é o número sequencial do objetivo dentro daquela organização. As siglas dos campos incluem EO, CG, TS, EF e ET, correspondentes aos cinco títulos apresentados acima.
A leitura do código serve para encontrar o texto completo, não para substituir sua interpretação. Um número maior no final não significa, por si só, maior dificuldade ou uma sequência obrigatória. A rede pode organizar o currículo e as experiências ao longo do ano, mas a BNCC não determina uma atividade única para cada código.
Para localizar objetivos de aprendizagem BNCC Educação Infantil 4 e 5 anos, procure no documento a seção de “crianças pequenas” e escolha o campo pertinente. Leia o enunciado integral e considere como a aprendizagem pode se manifestar em diferentes situações. O mesmo objetivo pode ser observado em brincadeiras, conversas, investigações ou produções, conforme a proposta e o percurso da criança.
Esse cuidado evita um equívoco frequente: selecionar códigos para preencher o planejamento sem que exista relação entre o objetivo e a experiência oferecida. Registre o código quando ele ajudar a identificar a intenção pedagógica; depois, descreva o que as crianças farão e quais indícios de aprendizagem serão observados. Para conferir o texto oficial, use a versão homologada da BNCC em PDF.
Os objetivos são referências para o trabalho pedagógico, não listas de desempenho que todas as crianças precisam demonstrar de modo idêntico em uma idade específica. O acompanhamento deve considerar os processos, as oportunidades oferecidas e os diferentes ritmos de aprendizagem.
6. Como Planejar Atividades Integrando Diferentes Campos?
Para integrar campos, comece por uma situação que tenha sentido para as crianças, defina a intenção pedagógica e planeje como observar o que acontece. A integração não depende de inserir o máximo possível de objetivos em uma atividade: depende de haver conexão entre a experiência, as interações e as aprendizagens que se pretende favorecer.
- Observe interesses e perguntas. Uma conversa sobre poças no pátio, por exemplo, pode revelar curiosidade sobre chuva, reflexos ou mudanças no ambiente.
- Defina o foco. Escolha um ou dois objetivos que façam sentido para o grupo e consulte o enunciado na BNCC.
- Prepare espaço e materiais. Disponibilize recursos seguros e acessíveis, prevendo possibilidades de escolha e participação.
- Planeje a observação. Decida que falas, ações, estratégias ou produções ajudarão a compreender a experiência.
- Retome o que ocorreu. Use os registros para adaptar a proposta, ampliar a investigação ou oferecer outro desafio.
Imagine que uma turma queira descobrir por que algumas folhas ficam amarelas. As crianças podem observar e desenhar as folhas, conversar sobre diferenças, agrupar exemplares por características e acompanhar mudanças durante alguns dias. A investigação articula expressão, linguagem, relações e transformações, mas a escolha dos objetivos precisa corresponder ao que será realmente explorado.
O registro também pede atenção. Anotar apenas “participou” informa pouco; é mais útil descrever a ação: “comparou duas folhas pelo tamanho e explicou qual parecia maior”. Essa observação dá pistas sobre o raciocínio da criança e ajuda o professor a planejar continuidade. Um planejamento escolar bem organizado pode reservar espaço para esses registros e para a revisão das propostas.
Em turmas heterogêneas, a mesma situação pode oferecer entradas diferentes. Algumas crianças podem observar, outras tocar, narrar, fotografar ou organizar materiais. Prever alternativas não significa reduzir a expectativa de aprendizagem; significa remover barreiras e reconhecer modos diversos de participação. Para propostas de movimento, por exemplo, um circuito com objetos do cotidiano pode ser adaptado em percurso, altura, tempo e apoio.
Não há um número fixo de campos que toda atividade deva contemplar. Se a tentativa de integrar muitos objetivos deixar a proposta artificial, volte à intenção principal e mantenha apenas as conexões observáveis.
7. Onde Consultar ou Baixar a BNCC da Educação Infantil em PDF?
A BNCC da Educação Infantil pode ser consultada no documento oficial do Ministério da Educação, que reúne a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. O PDF está disponível no portal da Base Nacional Comum Curricular; nele, procure a parte dedicada à Educação Infantil, os direitos de aprendizagem, os campos e os objetivos por grupo etário.
O portal oficial da Base Nacional Comum Curricular também é um ponto de consulta para informações sobre o documento. Ao usar cópias hospedadas em outros sites, confira a versão e a integridade do arquivo. Para planejamento e registros, mantenha o documento oficial como referência, mesmo quando materiais de apoio apresentarem tabelas mais resumidas.
Não confunda a organização da Educação Infantil com a do Ensino Fundamental anos iniciais. Na primeira etapa, os campos de experiência organizam a proposta curricular; no Ensino Fundamental, a BNCC apresenta áreas do conhecimento, componentes curriculares e respectivas competências e habilidades. Os campos não são disciplinas preparatórias para essas áreas.
As orientações nacionais também precisam ser lidas junto às normas do sistema de ensino e ao currículo da rede. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece referências gerais para a educação brasileira, enquanto documentos curriculares locais detalham como a rede organiza seu trabalho. Se houver diferença de nomenclatura ou de organização nos materiais da escola, confira a orientação da secretaria ou do conselho de educação competente.
Para uma consulta eficiente, use a busca do PDF pelo nome do campo ou pelo início do código alfanumérico. Depois, leia o objetivo por inteiro e verifique o grupo etário. Uma tabela avulsa pode ser útil para consulta rápida, mas não substitui o contexto, as orientações introdutórias e a leitura do documento oficial.
Perguntas Frequentes
Os Campos de Experiência São Disciplinas?
Não. São eixos de organização curricular da Educação Infantil, articulados às experiências e interações das crianças. Não correspondem a matérias separadas como as que aparecem na organização do Ensino Fundamental.
Uma Atividade Precisa Trabalhar os Cinco Campos?
Não. Uma experiência pode mobilizar mais de um campo, mas não precisa contemplar todos. O planejamento deve priorizar conexões que façam sentido para a proposta e para as aprendizagens observadas.
Os Exemplos da Tabela São Obrigatórios?
Não. São possibilidades pedagógicas. O professor pode criar outras propostas conforme o contexto, os interesses da turma e o currículo da rede.
Qual Grupo da BNCC Corresponde Às Crianças de 4 E 5 Anos?
O grupo das crianças pequenas, que abrange crianças de 4 anos a 5 anos e 11 meses na organização apresentada pela BNCC.
Como Interpretar o Código EI03TS02?
“EI” indica Educação Infantil; “03”, o grupo das crianças pequenas; “TS”, o campo “Traços, sons, cores e formas”; e “02”, o número sequencial do objetivo. Consulte o texto correspondente no documento para conhecer seu conteúdo.
Os Objetivos da BNCC Indicam uma Atividade para Aplicar?
Não. Eles descrevem aprendizagens a favorecer. O professor decide quais experiências podem criar oportunidades para essas aprendizagens e como acompanhar o processo.
A BNCC da Educação Infantil Está em um PDF Separado?
A versão oficial indicada aqui reúne Educação Infantil e Ensino Fundamental no mesmo arquivo. A seção da Educação Infantil aparece no início do documento.
Os Campos de Experiência Valem para o Ensino Fundamental?
Não como estrutura curricular dessa etapa. Os campos organizam a Educação Infantil; no Ensino Fundamental, a BNCC adota outra organização curricular.












