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A mineração mudou cidades, impostos e relações de poder na colônia
A mineração deslocou o eixo da colônia do litoral açucareiro para o interior. Em pouco tempo, população, impostos, cidades e poder político passaram a girar também em torno do ouro.
Entre o fim do século XVII e o século XVIII, a mineração tornou-se motor econômico de áreas da colônia. O açúcar perdeu exclusividade, enquanto regiões mineradoras ganharam importância.
A corrida pelo ouro começou com achados em rios e encostas durante expedições ao interior. Não houve um único instante decisivo: as notícias dos achados atraíram novos grupos de exploradores.
A exploração usava bateias, ferramentas simples, lavagem de cascalho e abertura de cavas. O trabalho era arriscado e imprevisível, enquanto a administração colonial fiscalizava a atividade.
A Coroa cobrava o quinto sobre o ouro extraído. A mineração dependia intensamente do trabalho escravizado e da fiscalização tributária, ligando a produção local aos interesses portugueses.
Minas Gerais concentrou os principais centros auríferos e viu crescer vilas e estruturas de fiscalização. Goiás e Mato Grosso também foram regiões mineradoras, integradas por redes de abastecimento.
O ouro ampliou a arrecadação da Coroa e estimulou comércio interno, circulação de dinheiro e consumo de importados. A riqueza circulava na colônia, mas reforçava sua dependência da metrópole.
As vilas mineradoras cresceram rapidamente e atraíram pessoas de diferentes origens. Novas hierarquias e conflitos marcaram a convivência entre ricos, pobres, livres, escravizados e autoridades.
Com o esgotamento relativo das jazidas mais acessíveis, extrair ouro ficou mais caro e a produtividade caiu. A mineração não acabou de repente, mas perdeu centralidade ao longo do século XVIII.
O ciclo do ouro foi mais que uma atividade econômica: ocupação do interior, impostos, cidades e declínio formaram uma engrenagem que ajudou a moldar o território e a sociedade coloniais.
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